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Um ano de pandemia: profissionais do Hospital João Alves enfrentam a doença com união de esforços e planejamento

16 de março de 2021

A pandemia da Covid-19 completa um ano e Sergipe enfrenta a doença com união de esforços e planejamento. No Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho, profissionais se uniram em uma força tarefa pensada para que o maior hospital público do estado continuasse com o seu atendimento de alta complexidade e não superlotar a porta com os casos suspeitos do novo coronavírus.

Tudo foi planejado para que ocorresse dentro do esperado. Para isso, o Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES), elaborou um Plano de Contingência de enfrentamento à Covid-19, com reuniões segmentadas e toda uma concepção planejada para o Hospital João Alves que se transformaria em um hospital de retaguarda para a Rede Estadual de Saúde, onde apenas os pacientes testados e positivados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nos Postos de Saúde seriam atendidos para a triagem, evitando assim, a superlotação com casos suspeitos e síndromes gripais.

“Um novo fluxo de atendimento foi realinhado com toda a gestão do hospital e essa medida foi importante porque teve o intuito de evitar a contaminação entre os pacientes que já estavam internados no hospital. Com a porta regulada, a lotação foi reduzida e isso foi visualizado nos primeiros quinze dias da determinação do novo fluxo, a Área Azul, que chegou a ter 120 pacientes estava com apenas seis pacientes internados na época, visualizando um novo momento na assistência ao paciente”, explicou a coordenadora do Pronto Socorro do Hospital João Alves Filho, Débora Feitosa.

No dia 30 de março de 2020, os profissionais foram surpreendidos pelo medo do desconhecido, chegava no Pronto Socorro do hospital a primeira paciente contaminada pela Covid-19. Por ter outras comorbidades como diabetes, hipertensão e cardiopatia, a mesma se agravou e foi a óbito. No dia 28 de abril, os profissionais testemunharam a primeira paciente curada da Covid-19 e que recebeu alta médica depois de passar pelo corredor da vitória, onde foi aplaudida pelos profissionais que acompanharam os onze dias em que ela esteve internada na UTI e enfermaria Covid do hospital.

Muitos desses profissionais também se contaminaram, alguns perderam a batalha, outros precisaram ficar em casa, isolados, mas eles não desistiram e travavam ali uma luta constante para que o resultado final fosse à vitória contra a Covid-19. Quem cuidava também precisou ser cuidado, foi o que aconteceu com o médico e Referência Técnica do Eixo Crítico do Huse, José Edvaldo dos Santos.

“Fui o primeiro da equipe a ser acometido pela doença da forma mais grave e com dois dias de UTI houve a necessidade de intubação, esse era meu maior medo. Ao despertar trazia muitas dúvidas e lembro que logo ao acordar muitas pessoas perguntavam pra mim muitas coisas, mas duas ficaram muito marcante que foi estou feliz por você ter retornado, eu rezei muito por você, e a segunda foi uma coisa que me fez retornar ao trabalho, sua missão não acabou, após a alta essa segunda frase marcou o meu retorno, eu precisava superar o medo e voltar, tinha muita gente precisando do meu trabalho e esse foi o meu norte”, disse José Edvaldo.

Para manter a qualidade no atendimento aos pacientes contaminados, equipes multiprofissionais que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus foram treinadas na própria unidade sobre medidas de paramentação, higienização, intubação, atendimento do paciente infectado no leito, entre outras técnicas, tudo com planejamento e organização, para levar de forma correta a orientação para os profissionais.

Reestruturação Interna

Depois de planejar a forma de atendimento no hospital e o treinamento dos profissionais, foi a vez de pensar na reestruturação interna. Como adequar a estrutura já existente na unidade para a chegada dos primeiros possíveis casos da Covid-19? Essa não foi uma tarefa fácil, áreas foram reformadas e se adaptaram para uma nova realidade de urgência. Inicialmente, foram planejados dois isolamentos na Ala 500 (501 e 502), dois isolamentos nas UTI’s e um isolamento na UTI Pediátrica.

Conforme os casos começavam a aparecer, foi pensada uma nova estratégia. A Unidade de Atendimento Crítico (UAC 2) foi preparada para 10 leitos exclusivos e equipados para atendimento aos pacientes graves pelo novo coronavírus, além de uma enfermaria com mais 10 leitos na Ala 500, para os pacientes que fossem saindo da UAC ou que precisassem de cuidados intermediários durante a pandemia, como explica a gerente do Núcleo Interno de Regulação (NIR), Manoela Oliveira.

“Tudo sempre foi muito bem planejado em conjunto com a gestão do hospital e a SES. Passamos para 27 leitos da UTI 1 e 10 leitos de enfermaria na Ala 500, mas os casos continuavam crescendo e fomos para 37 leitos da UTI (UTI 1 e UAC 2), mais 30 leitos de Enfermaria Covid (antes UPC), chegamos a 54 leitos de UTI’s (UTI 1 e UTI 2), 40 leitos de enfermaria (UPC e Ala 500) e 10 leitos pediátricos”, informou a gerente do NIR.

Hoje, para a área da Covid, o hospital conta com 27 leitos clínicos de UTI, 10 leitos cirúrgicos, além de 10 leitos de enfermaria na Ala 500 e 10 leitos na UTI pediátrica. Sua ocupação chega a cerca de 80%.

Humanização

O hospital também seguiu normas estratégicas quanto ao acesso de visitas e protocolos de higienização. Foi um momento triste, quando muitos pacientes não puderam contar com a presença dos seus acompanhantes que muitas vezes era o próprio familiar. Toda uma rotina foi alterada dentro do hospital para evitar o risco de contaminação do meio externo para o meio interno e vice-versa. Mas humanizar o serviço era muito importante naquele momento, por isso foi criada a visita virtual (através de chamadas de vídeo) para os pacientes internados com a Covid-19.

“Após a implantação do serviço, aquela angústia de pacientes e familiares que visualizamos foi substituída pelo sentimento de gratidão. A gente chega a se emocionar”, disse a gerente da UTI do Huse, Neila Froes.

O Centro de Oncologia do hospital tomou algumas medidas para evitar aglomerações de pessoas e para uma maior proteção do paciente assistido na unidade oncológica. Por isso, um novo fluxo de entrada de pacientes foi criado no Ambulatório de Oncologia, obedecendo uma classificação por horários, que vão das 06h30 às 17h.

A solidariedade também anda junta com a pandemia, só que a contaminação é de gratidão por tanto carinho e envolvimento pela causa. É dessa forma que as parcerias solidárias acontecem e trazem um aconchego no momento em que os profissionais mais precisam. O Hospital João Alves Filho conta com essas parcerias e os trabalhadores e pacientes são os maiores beneficiados com tanto amor e boa vontade.

Um ano depois

A Covid-19 é um desafio global e o questionamento que mais se faz ao longo desses doze meses de pandemia, é de quando tudo isso vai acabar?. A realidade hoje no hospital é de que todos os esforços que são feitos estão valendo a pena e são em prol do paciente e dos trabalhadores.

Em janeiro deste ano, o sonho de muitos profissionais da saúde que atuam na linha de frente começou a virar realidade, a vacinação foi iniciada e disponibilizada por etapas e com planejamento e organização já imunizou cerca de 80% dos profissionais do Hospital João Alves. A enfermeira Sônia Aparecida Damásio, que trabalha na linha de frente do hospital há 14 anos, ressalta a felicidade por ser a primeira imunizada.

“Estou muito feliz por ter sido escolhida, acho que, a partir de agora, temos esperança de que as coisas vão melhorar. Com isso, fico mais tranquila, principalmente, porque estou na linha de frente. Todo mundo estava esperando pelo início da vacinação”, destacou a enfermeira.