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Piscóloga fala sobre saúde mental das gestantes durante a pandemia

25 de setembro de 2020

Os impactos da pandemia de Covid-19 na saúde mental podem apresentar desde reações normais e esperadas de estresse e ansiedade até impactos mais graves na saúde emocional das gestantes. No caso de pacientes com histórico de tentativa de suicídio, deve-se redobrar a atenção, uma vez que o agravamento dos sintomas, já existentes, pode ser potencializado em virtude da pandemia, configurando como um risco ainda maior também para gestantes. A psicóloga da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), Naiara França da Silva, fala sobre o tema.

“Estressores financeiros e outros precipitadores tendem a se elevar neste momento de pandemia. O isolamento e a distância do trabalho, dos amigos e da família, pode ser ainda pior para quem já sofre com algum distúrbio emocional. Essas pessoas que já têm algum comprometimento psicológico, e podem ser gestantes, como a depressão, percebem a solidão e as tensões causadas pela pandemia de forma muito mais intensa, explicou Naiara França.

Ela ressaltou que é preciso adotar medidas que ajudem a minimizar a situação. “As redes de apoio social têm um papel fundamental para essas pessoas. No campo da maternidade, as gestantes têm relatado medo e dúvidas em relação ao coronavírus. A insegurança dessas pacientes em relação ao que vão encarar durante a sua internação aumenta. Para reduzir os riscos de contágio à mãe e ao bebê, algumas medidas foram tomadas, como suspensão de visitas e acompanhantes, o que tem contribuído para essas alterações emocionais nas gestantes nesse período”, esclareceu a psicóloga.

As mudanças de comportamento podem influenciar bastante diante da falta de convívio social, que é fundamental para a saúde, já que é um importante fator de proteção para a mente. “Assim, o isolamento social pode intensificar sintomas de depressão e ansiedade durante a gravidez. Resultados preliminares de um estudo realizado recentemente no Canadá indicam níveis acima do normal desses sintomas em gestantes, gerando preocupação, uma vez que taxas mais altas desses transtornos mentais na gravidez impactam não só a futura mãe, mas no seu bebê também”, disse Naiara.

Ajuda

Naiara observou que ajudar essas pessoas é reconhecer e acolher os receios e medos dessas pessoas, buscando passar orientações acerca de estratégias de cuidados psíquicos em situações de pandemia, como por exemplo, manter ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas.

“Investir em exercícios e ações que auxiliam na redução do nível do estresse e da ansiedade e buscar fontes confiáveis nas informações a respeito da pandemia, além de limitar o acesso a essas informações. Enfim, é buscar reenquadrar os planos e estratégias de vida, de forma a seguir produzindo adaptações a pandemia. Quando as estratégias utilizadas não forem suficientes para a estabilização emocional, então deve-se buscar um profissional de saúde”, concluiu Naiara