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ESTUDOS TÉCNICOS

Universidade Federal da Fronteira Sul

O estado de Sergipe registra, no dia 16/06/2020, 16310 casos confirmados da covid-19, destes 5883 estão recuperados, 463 estão em atendimento hospitalar, sendo 176 em Unidades de 1 Tratamento intensivo. Foram também confirmados 364 óbitos .

De forma muito simples pode-se dizer que razão de óbitos em relação ao número de casos confirmados entre 1,59% e 2,71%, desde 1o/05/2020, sendo que na última semana teve uma média de 2,43% e um máximo de 2,64%

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O Município de Aracaju é a capital do estado de Sergipe, localizado na região nordeste do Brasil. Possui população estimada de 657.013 habitantes, sendo 89.091 (13.5%) pessoas acima dos 60 anos de idade. De acordo com o último Censo Demográfico (2010), a taxa de alfabetização de pessoas com mais de 10 anos de idade é de 93,7%, a média de moradores por domicílio é de 3,37 e o índice de domicílios de baixa renda é de 42,9%. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,770 e, atualmente, o município é dividido em 42 bairros organizados em 4 zonas urbanas (norte, oeste, leste e sul).
O primeiro caso de COVID-19 em Aracaju foi registrado em 14 de março de 2020 e, até 16 de junho do corrente ano, 9.849 pessoas tiveram diagnóstico confirmado da doença representando cerca de 60,5% de todos os casos do Estado.

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No dia 09 de junho, o Estado de Sergipe ultrapassou a marca dos 10.000 casos confirmados de [1] pessoas infectadas com o virus SARS-CoV-2(Covid-19) . Vale lembrar que o mês de maio começou com 517 infectados e terminou com 6999, um aumento de 1.254% somente em um mês. Em apenas nove dias desse mês de junho, passamos de 6.999 para 10.126, atingindo um aumento de 45% em 9 dias. O Decreto Governamental de distanciamento social, em algumas atividades, continua vigente; entretanto, softwares que medem a mobilidade urbana em[1] tempo real têm demonstrado que a taxa de isolamento social vem diminuindo a cada dia. Diga-se de passagem, o estado de Sergipe vem tendo um dos piores índices de isolamento social do Brasil.

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Sergipe registrou, até o dia 04 de junho de 2020, 8200 casos confirmados de COVID-19 e 186 óbitos conforme boletim epidemiológico publicado pela Secretaria de Estado da Saúde. Atualmente, são disponibilizados na rede de saúde 200 leitos de UTI, 120 na rede pública e 80 da rede privada. A taxa de ocupação total destes leitos é de 75%, sendo 68.3% entre aqueles ofertados pelo serviço público de saúde e 85% nos hospitais privados do Estado (Tabela 1).

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O estado de Sergipe registra, no dia 02/06/2020, 7555 casos confirmados da covid-19, destes 2999 estão recuperados, 367 estão em atendimento hospitalar, sendo 137 em Unidades de Tratamento intensivo. Foram também confirmados 172 óbitos.

De forma muito simples pode-se dizer que razão de óbitos em relação ao número confirmado de casos está em 2,0% (concretamente esta razão é variável, porém se mantém neste patamar desde o dia 1o/05). Também pode-se estimar a razão de internações que está em 4,8% dos casos, destes 37,3% demandam o tratamento intensivo de UTIs.

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Este trabalho atualiza os dados da nossa nota técnica anterior, divulgada semana passada[1].
Acrescentamos novos gráficos e tabelas, além de uma análise comparativa entre a região de Aracaju e a cidade-Estado Luxemburgo, país encravado no meio da Europa com população semelhante à da nossa capital.
Destacamos uma boa e uma má notícia para a evolução da Covid-19 nestes sete dias. A notícia boa é que o governo disponibilizou novos leitos hospitalares, sendo 22 novos leitos de UTI. Isto desafogou a taxa de ocupação de leitos de UTI. A notícia ruim é que o número de infectados continua crescendo bastante, com médias acima de 10% ao dia, indicando que continuamos sem possibilidade de aumentar o relaxamento das medidas de isolamento social. Em resumo,chegamos na madrugada de hoje a um acumulado de 2.032 casos positivos para a infecção viralpelo SARS-CoV-2 em Sergipe, com 37 mortes declaradas pelos sistemas oficiais de saúde[2].
Como dissemos na nota anterior, nosso trabalho se baseia nos dados dos boletins diários do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, coordenados pela Diretoria de Vigilância em Saúde, da Secretaria do Estado da Saúde[2].
É interessante observar que diversos pesquisadores têm apresentado trabalhos científicos e notas técnicas sobre a infecção viral pelo SARS-CoV-2 em Sergipe. Além dos trabalhos, citados na nossa primeira nota, dos profs. Francisco Almeida, Gerson Duarte-Filho e colaboradores[3,4], observamos a publicação do prof. Paulo Ricardo Martins Filho sobre a previsão de casos de covid-19 em ocupação de leitos em UTI[5]. O grupo de pesquisa LEADER-UFS publicou uma nota técnica sobre previsão de casos, de autoria da professora Fernanda E. Moura e colegas[6].
Com o mesmo tema, observamos o trabalho do prof. Daniel Castaneda, do Departamento de Estatística da UFS[7]. E, finalmente, citamos o trabalho do prof. Luís Vedana, do Departamento de Geologia da UFS, que apresenta uma análise sobre a presença de infectados pelo covid-19
nos bairros de Aracaju[8]. Em todos estes trabalhos fica claro que estamos num momento de crescimento de infectados pela covid-19 em Sergipe e da necessidade do distanciamento social.

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O Brasil enfrenta uma pandemia sem precedentes com um impacto profundo na vida das pessoas. Até 13 de maio de 2020, dia em que esta nota foi redigida, foram contabilizados 188.974 casos da doença e 13.149 óbitos em território nacional. Em Sergipe, uma taxa de crescimento médio de 15% ao dia no número de casos tem sido registrada com impacto importante em seu sistema de saúde1, sendo confirmados 2268 casos e 42 óbitos por COVID-19 até o momento. A taxa de incidência atual da doença no Estado de Sergipe, que possui cerca de 2,2 milhões de habitantes, é de aproximadamente 100 casos para cada 100.000 habitantes.
Existem evidências de que os casos não documentados e assintomáticos são os principais transmissores do novo coronavirus. Na indisponibilidade atual de uma vacina, medidas de isolamento social e as mudanças de comportamento têm se mostrado cruciais na tentativa de impedir a propagação do vírus e o colapso dos sistemas de saúde.2 As previsões baseadas em modelos matemáticos têm ajudado os formuladores de políticas públicas a tomar decisões importantes em tempo hábil, mesmo com as incertezas sobre a COVID-19. Tem sido sugerido que uma redução de 60% na transmissão é um indicador de controle da epidemia, mas ainda existem dúvidas sobre quais estratégias de comunicação ou ações de distanciamento social devem sem implementadas para alcançar os resultados desejados.3 Assim, será necessário um certo pragmatismo para a implementação de medidas de distanciamento social e quarentena.
A eficácia e o impacto social destas medidas dependem da credibilidade das autoridades de saúde pública, líderes políticos e instituições. É importante que os formuladores de políticas mantenham a confiança do público através do uso de intervenções baseadas em evidências e comunicação totalmente transparente e baseada em fatos.4,5 A coleta contínua de dados e a análise epidemiológica são, portanto, partes essenciais da avaliação dos impactos das estratégias de mitigação da epidemia, juntamente com as pesquisas clínicas sobre os preditores de gravidade e a melhor maneira de gerenciar os pacientes com COVID-19.6
É importante ressaltar que o comportamento individual é crucial para controlar a propagação da COVID-19 incluindo os cuidados quanto à higiene das mãos, o uso de máscara de proteção respiratória e o distanciamento social. Além disso, são primordiais as ações do governo no sentido de proibir aglomerações e fornecer boas instalações de diagnóstico, acesso imediato e tratamento especializado para pessoas com as formas graves da doença. Desta forma, sem o fortalecimento das medidas de controle e as mudanças no comportamento da população, é provável que o número de casos continue crescendo e ocorra saturação precoce do sistema de saúde, com aumento substancial no número de mortes.
Apesar das indispensáveis medidas já adotadas pelas autoridades locais, que incluem por exemplo o fechamento de escolas, universidades e de alguns segmentos empresariais, interdição de espaços públicos e a obrigatoriedade do uso de máscaras, a estratégia adotada até então pode não ter sido suficiente para frear a transmissão do vírus uma vez que depende muito da conscientização e adesão das pessoas. É fato que as mudanças no comportamento indicam o nível de preocupação da população com essa infecção específica e têm reflexos importantes no aumento do número de casos de COVID-19 no Brasil e em Sergipe.
Diante do número crescente de casos confirmados da doença em Sergipe acompanhado do baixo índice de isolamento social reportado e a saturação precoce do sistema de saúde, elaboramos esta nota técnica com o objetivo de avaliar a relação de causa e efeito entre isolamento social e casos de COVID-19 em nosso Estado. Além disso, tentamos estimar o índice de isolamento social mínimo adequado para que uma redução do número de casos de COVID-19 em Sergipe possa ser vislumbrada.

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A pandemia de COVID-19 tornou-se um sério desafio para os sistemas de saúde em todo o mundo. Apesar do curso clínico favorável para a maioria dos casos, é esperado que 5% de todos os pacientes infectados necessitem de cuidados intensivos e uma taxa de mortalidade de 30 a 70% para estes pacientes tem sido estimada.1 Em Sergipe, até 05 de maio de 2020, foram confirmados 898 casos de COVID-19 dos quais 26 necessitaram de cuidados em unidades de terapia intensiva (UTI), o que corresponde a uma taxa de internamento de aproximadamente 3%. Em nosso Estado, o menor da República Federativa do Brasil, tem sido observada uma taxa de crescimento médio de 15% ao dia no número de casos de COVID-19 desde 01 de maio do corrente ano, sendo esta aproximadamente três vezes maior àquela observada para o país no mesmo período.
Existem evidências de que os casos não documentados e assintomáticos são os principais transmissores do novo coronavírus. Na indisponibilidade atual de uma vacina, medidas de isolamento social e quarentena tem sido usadas com sucesso na tentativa de impedir a propagação do vírus e o colapso dos sistemas de saúde, o qual pode acarretar também no aumento do número de mortes pelo não atendimento de outras situações. O reconhecimento precoce e o diagnóstico rápido dos casos de COVID-19 são essenciais para impedir a transmissão e fornecer cuidados de suporte em tempo hábil. Tem sido relatada uma mediana de 10 dias desde o início dos sintomas da doença até a admissão em UTI para pacientes que desenvolvem a forma grave da infecção.2,3 Isso é de considerável importância, por exemplo, para o cálculo da necessidade esperada de leitos de UTI, com base na atual situação epidemiológica.
Embora seja sabido que uma pequena parcela de pacientes com COVID-19 precisa de cuidados intensivos, especialmente idosos e pessoas com condições pré-existentes, a dinâmica exponencial das infecções juntamente com o intervalo de tempo entre o número das casos relatados e o número de pacientes na UTI pode levar à falsa impressão de que a quantidade de pacientes internados não seráproblemática.4 Devido ao atraso pela procura de atendimento e do tempo de internamento de uma a várias semanas, mesmo quando o crescimento exponencial de infecções é interrompido, leva um tempo até que a pressão nas UTIs seja reduzida.5
O Laboratório de Patologia Investigativa (LPI/UFS), na figura do seu coordenador, alunos e colaboradores, tem se dedicado desde o início desta pandemia ao desenvolvimento de estudos voltados ao fornecimento de evidências científicas para a melhor tomada de decisão dos profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate à doença. Trabalhos que defendem a importância inequívoca da ciência no enfrentamento desta pandemia6; que abordam a disseminação de Fake News e informações equivocadas sobre o novo coronavírus7,8; que descrevem recomendações para uma prática odontológica segura em caso de necessidade de tratamento dentário9; que demonstram a falta de evidência atual sobre a presença do vírus no leite materno e trazem recomendações para amamentação em gestantes diagnosticadas com COVID-1910; que discutem a importância da atenção primária em saúde frente à pandemia11; e que sumarizam os principais preditores clínicos e laboratoriais associados à mortalidade em pacientes críticos em UTI12 foram publicados pelo nosso laboratório nas últimas semanas. Diante do número crescente e alarmante de casos confirmados de COVID-19 em Sergipe especialmente a partir do início de maio, elaboramos esta nota técnica com o objetivo de projetar a curva da epidemia para o presente mês e apresentar previsões em relação à necessidade de leitos de UTI considerando-se a decretação de quarentena em diferentes cenários a fim de colaborar para o planejamento estratégico dos órgãos competentes.

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CIDES – Centro de Informações e Decisões Estratégicas em Saúde

Tem a missão de produzir, analisar e disseminar informação, monitorar situações de catástrofes, acidentes, violências e epidemias, gerando conhecimento e auxiliando na planificação de recursos com base em evidências, de forma a contribuir para a redução das incertezas no processo decisório e na transparência das ações desenvolvidas na área da saúde.

Painel Monitoramento COVID-19

OBSERVATÓRIO DE SERGIPE

O boletim COVID-19 Sergipe, elaborado pelo Observatório de Sergipe, integra informações do cenário nacional, estadual e informações históricas do panorama nacional e estadual sobre o Novo Coronavírus.

BOLETINS COVID-19 Observatório de Sergipe